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Os Portugueses na India: Goa

Term Paper 2004 16 Pages

Romance Languages - Portuguese Studies

Excerpt

Inhalt

0. INDICE

1. Introdução: Goa

2. Uma via marítima para a Índia

3. Dois conquistadores
3.1. Dom Francisco de Almeida
3.2. Dom Afonso de Albuquerque

4. A decadência do Estado da Índia

5. Géneros para a Europa

6. A sociedade da Goa portuguesa
6.1. A sociedade hindu
6.2. A cristianização
6.3. Hindus e convertidos
6.3. Escravos africanos em Goa
6.4. A situação das mulheres
6.5. A língua Konkani

7. A herança portuguesa

8. Bibliografia

1. INTRODUÇÃO: GOA

O território de Goa, colónia portuguesa por 451 anos, é hoje um pequeno Estado confederado da Índia, situado no sudoeste do país, na costa do Malabar. Ao norte está o Estado confederado de Maharashtra e ao sul, o de Carnataca. Goa, que hoje em dia se chama Panáji, abarca um área total de 3700 quilómetros quadrados e tem 1,2 milhões de habitantes.

A antiga cidade dos hindus (Gove ou Govant em sânscrito) foi transferida em 1479 desde o rio Zuari ao rio Mandovi, por causa do sal que se tinha sedimentado no Zuari e porque Goa foi completamente destruída durante vários ataques de tropas do reino vizinho de Bahmani.

Até 1510 - ano em que foi conquistada pelos portugueses -, a assim chamada Velha Goa formava parte do sultanado de Bijapur1. Os árabes mantinham relações comerciais com a cidade e com o tempo, esta ganhou importância como centro do comércio internacional. Viviam lá mouros, hindus e estrangeiros; havia um exército permanente e uma marinha que protegia as naus de pirataria.

Desde princípios do século XVI, Goa - junto com a cidade costeira de Damão (ao norte de Bombay) e a ilha de Diu no Golfo de Kambhat, ambas também em mãos portuguesas - era o porto comercial mais importante no "Estado da Índia" português. No final, a cidade de Velha Goa foi destruída outra vez no século XVIII pelos holandeses, assim que se fazia da pequena aldeia piscatória de Panáji (ou Panjim) a nova capital do território colonial de Goa, chamada Nova Goa.

No dia 19 de Dezembro de 1961, tropas indianas ocuparam Goa, Damão e Diu, de maneira que Portugal perdeu as suas últimas colónias na Índia; de facto, Portugal só aceitou esta perda 13 anos depois.

À procura de uma via marítima para a Índia, os portugueses exploraram toda a costa da África do oeste e, por acaso, descobriram até as milagrosas terras do Brasil. Sonhavam com um imenso e poderoso império comercial que lhes facilitaria as melhores mercadorias, proporcionar-lhes-ia as maiores riquezas e dar-lhes-ia a possibilidade de divulgar a fé cristã em todo o mundo. Estabelecer-se num lugar tão oportuno como Goa, foi mais um largo passo em direcção a essa meta ...

2. UMA VIA MARITIMA PARA A INDIA

No século XV, Génova e Veneza competiam no comércio com o Próximo Oriente. Naus genovesas tinham transportado os cruzados a Jerusalém e em todos os importantes centros comerciais também se estabeleceram mercadores de Génova. O comércio com o Oriente foi favorecido pelas relações amistosas de Génova com o Império Bizantino.

Quando, em 1453, Mahomed II ocupou Constantinopla, os genoveses foram obrigados a abandonar os seus portos e as suas feitorias naquela região. Os venezianos, porém, desfrutavam privilégios concedidos pelo sultão do Egipto, facto que fazia deles os únicos a fornecer à Europa os géneros da Índia e de outras partes da Ásia.

Veneza tornou-se o estado mais rico do continente europeu, enriquecendo ao mesmo tempo tôdas as cidades, desde a Índia até Veneza, por onde passassem as mercadorias, e os mercadores mouros que dominavam exclusivamente o comércio desde a Índia até aos portos do Mediterrâneo, cujos enormes lucros estavam, porém, a par dos grandes perigos a que estava sujeito êste tráfego no seu percurso. (António Maria da Cunha: A Índia Antiga e Moderna, pág. 69)

Os portugueses, já muito antes de realizarem o Estado da Índia, sonhavam com a ideia de estabelecer relações comerciais com a Índia por uma via em volta da África. Interessaram-se especialmente pelo monopólio de pimenta; mas sobretudo, queriam tornar-se independentes dos mercadores árabes. O famoso Dom Henrique, senhor de muitas expedições ao longo da costa da África do oeste, sonhava com heróicas aventuras além do grande mar, embora não fosse ele próprio o marinheiro que as empreenderia. De outro lado, sonhava com o célebre Preste João das Índias, este misterioso e poderoso monarca cristão, do qual as pessoas diziam que vivia em qualquer ponto da terra, lá no Oriente, num país fabulosamente rico. Essa ideia foi alimentada pelo desejo deste e muitos outros reis de espalhar por todo o mundo a fé cristã.

Dom Henrique reuniu em sua volta os mais sábios geógrafos e matemáticos para estudar as probabilidades de alcançar a Índia navegando em volta do sul do continente africano. [...] As explorações fôram avançadas por aventureiros que encontraram na costa africana um excelente e rendoso campo para o comércio de escravatura. (António Maria da Cunha: pág. 69)

O que tornou ainda mais necessário encontrar a via marítima para a Índia foi que, após a expulsão dos árabes da Península Ibérica, os muçulmanos estavam zangados com os europeus, assim que os negócios com eles não eram bem sucedidos.

Os portugueses na Índia

Também Dom João II (1455 - 1495) organizou avanços planeados ao longo da costa da África do oeste e iniciou a precisa busca do Preste João, que associou com a Etiópia e os cristãos coptos. Enviou dois delegados disfarçados de mercadores pelo Egipto e pelo Mar Vermelho em direcção ao sul; um destes mesmo chegou à Etiópia. Emfim, el-rei chegou à conclusão de que a Índia e as especiarias somente se alcançariam navegando em volta da África. Isto também o levou a não aceitar o projecto de Colombo, que queria chegar à Índia navegando pelo Atlântico em direcção ao oeste.

Weder konnte die Angst vor den unbekannten Gefahren, die südlich des Kaps Bojador auf die Seefahrer lauerten, die Portugiesen davon abhalten, unermüdlich weiter nach der Stelle zu forschen, an der die Küste Afrikas nach Osten biegt und den Weg nach Indien freigibt, noch konnte sie Jahrzehnte später die Lockung einer Reise nach Wes- ten, wie sie Kolumbus vorschlug, davon abbringen, den Zugang zum Indischen Ozean nach wie vor im Osten zu suchen. Es traf sich günstig, dass wenige Jahre vor Kolum- bus' großer Fahrt der Portugiese Bartolomeu Dias 1488 schließlich doch jenes Kap entdeckte, das sein König darauf treffend 'Kap der guten Hoffnung' nannte. König João II., dessen geopolitische Visionen entscheidend zum Erfolg der portugiesischen Seefahrer beitrugen, hatte in der Tat nun die berechtigte Hoffnung, daß das Tor zum Indischen Ozean gefunden war. Der königliche Optimismus obsiegte bei dieser Namensgebung über den Realismus des Entdeckers, der das Kap wegen der Stürme, denen er dort begegnet war, Cabo Tormentoso taufen wollte.

(Dietmar Rothermund: "Die Portugiesen in Indien", pág. 155)

Dom Manuel I, rei desde 1495 a 1521, apoiou a expedição decisiva de Vasco da Gama que abriu a via marítima para a Índia em volta do Cabo da Boa Esperança. Vasco da Gama desembarcou em Calicut no dia 20 de Maio de 1498. Mas a expansão portuguesa deparou com uma cultura superior que mostrou pouco interesse por produtos europeus e pediu metais preciosos em troca de seus produtos.

[Die] Begegnung [Vasco da Gamas] mit dem Herrscher von Calicut verlief trotz freundlicher Aufnahme zumindest aus wirtschaftlicher Sicht nicht sehr günstig, da dieser den Portugiesen ziemlich unverblümt mitteilte, daß an einem Handel mit ihnen so lange wenig Interesse bestünde, solange sie mit derart - in den Augen der Einheimischen - minderwertigen Waren Gewürze eintauschen wollten.

(Walter L. Bernecker / Horst Pietschmann: Geschichte Portugals, pág. 39)

Aparentemente, o comércio por via directa com a Índia mostrar-se-ia tão deficitário como já antes era pelo comércio intermediário dos árabes.

Mais tarde, el-rei enviou Dom Francisco de Almeida e depois Dom Afonso de Albuquerque, que deviam não só proteger as feitorias na costa indiana e o comércio de especiarias, mas também consolidar o poder português no alto-mar.

3. DOIS CONQUISTADORES

Na Índia, em Calicut, os potentados locais não deram licença a Vasco da Gama de fundar uma feitoria. Os muçulmanos bloquearam a entrada do porto, assim que o navegador teve de lutar para poder regressar a Portugal. Após o seu regresso, el-rei Dom Manuel I armou outra expedição à Índia, uma grande frota sob direcção de Pedro Álvares Cabral2. Este, finalmente, fundou uma feitoria em Calicut e estacionou ali um pequeno exército.

Em 1502, Vasco da Gama empreendeu uma segunda viagem à Índia, depois de el-rei ter sabido que os portugueses que ficaram em Calicut foram assassinados.

[...]


1 Bijapur, antigamente uma das cidades mais vistosas da Índia meridional, tornou-se capital do sultanado muçulmano do mesmo nome em 1489.

2 Naquela viagem, Cabral, batido em alto-mar ao oeste pelo vento e a corrente, por acaso descubriu a costa do Brasil em 1500. Depois de enviar uma nau a Portugal, para informar o rei, navegou para a Índia.

Details

Pages
16
Year
2004
ISBN (eBook)
9783640999330
ISBN (Book)
9783640999217
File size
432 KB
Language
Portugues
Catalog Number
v178145
Institution / College
Humboldt-University of Berlin – Institut für Romanistik
Grade
2.0
Tags
Portugiesen Goa Indien Kolonialzeit Portugal

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