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"Ensaio sobre a Cegueira" - O livro e o filme

Term Paper (Advanced seminar) 2011 16 Pages

Romance Languages - Portuguese Studies

Excerpt

Introdução

1. Generalidades sobre adaptações cinematográficas

2. Fernando Meirelles
2.1. Os direitos de filmagem

3. A comparação
3.1. O local
3.2. Música e efeitos visuáis
3.2.1. O efeito especial da cegueira
3.2.2. Medo – música e perspectiva da câmera
3.3. O narrador - quem fala?
3.3.1. Conteúdo e forma
3.3.2. Tempo de narração e tempo de leitura
3.4. Os personagens (e a acção)

4. Saramago aprova a adaptação

5. Resumo

6. Fontes

Introdução

Este trabalho tem como objectivo a comparação entre o romance Ensaio sobre a Cegueira do prémio nobel José Saramago e o homónimo filme realizado por Fernando Meirelles.

1. Generalidades sobre adaptações cinematográficas

Começo o tema com algumas generalidades sobre adaptações

cinematográficas. Adaptar um livro para o cinema é sempre difícil, particularmente quando o director quer criar um filme que seja fiel ao original. E se o livro foi escrito por um prémio nobel, quanto mais difícil deve ser esse processo? O director do filme tem que afrontar “o desafio de traduzir em imagens as idéias que foram elaboradas para ter sentido por meio de palavras”.[1]

Em geral, num livro, “o escritor conta a história, descreve cenários e coloca”, como diz o próprio Fernando Meirelles, “os pensamentos na cabeça dos leitores”.[2] “No cinema é tudo muito visual e auditivo, a história é contada pela ação dos personagens”.[3]

“Em português, há poucos títulos publicados que tratam especificamente da questão da adaptação” dum “texto literário para o cinema”. “É como se este fosse um processo menor, inferior”. “Pensamos nas diversas classificações dadas aos filmes cuja origem narrativa está num livro”.[4]

Diz-se comumente: “o livro é muito melhor que o filme”; ou: “mas o livro não termina assim!”[5]

“Já que quando amamos uma certa narrativa, certamente nos entregamos às descrições e à alma dos personagens e criamos imagens, que invariavelmente, não se assemelham ao que vemos na tela. Cada um de nós cria as suas próprias visualidades[...]”.[6]

Apesar disso, ambas as duas são formas artísticas autônomas, ou como diz Fernando Meirelles: cinema e literatura são linguagens muito diferentes, cada uma com suas características próprias.

Como já disse, num filme a história, a trama, a acção são contadas pela ação dos personagens e pelos diálogos.

Mas um livro não tem só uma acção, mas sim também efeitos sobre o leitor. No livro aqui tratado temos muitas reflecções sobre o mundo e o homem e especialmente o tema do medo que devem ser traduzidos em imagens e, não esquecemo-nos disso, som.

Resumindo pode-se dizer que um filme é um produto audiovisual, com uma certa duração, para o cinema ou a televisão. O processo cinematográfico contém:

- roteiro
- produção
- sonorização
- montagem
- trilha sonora
- efeitos especiás

Por falta de literatura portuguesa nesse campo cito aqui um autor alamão:

“Filmische Darstellungen wirken in erster Linie durch visuelle und akustische Eindrücke. Wie der Zuschauer die Handlung sieht, hängt wesentlich vom Einsatz der Kamera ab, die Einstellung, Perspektive und Bewegung des Zuschauerauges bestimmt und somit als zentraler Erzähler fungiert. Hinzu kommen Faktoren wie Bildkomposition, Montage, Spezialeffekte, Akustik, Darstellung etc.“[7]

Segundo Stanley Kubrik, especialmente os filmes de horror são interessante para os espectadores:

“Stanley Kubrick sah die Anziehungskraft von Horrorgeschichten zum einen darin begründet, dass sie den Rezipienten im Gedankenspiel auf die Schattenseite seiner eigenen Psyche blicken lassen; […]. ‚Etwas stimmt grundsätzlich nicht mit der menschlichen Persönlichkeit. Sie hat eine böse Seite. Eines der Dinge, die Horrorgeschichten tun können, ist, uns die Archetypen des Unbewussten zu zeigen; wir können die dunkle Seite sehen, ohne ihr direkt gegenübertreten zu müssen. […].‘“[8]

No caso de Ensaio sobre a Cegueira temos um livro que pode ser adaptado facilmente num filme de horror na tradição do grande Stanley Kubrick, visto que o romance tem muitos aspectos de crueldade e de maldade.

A adaptação cinematográfica dum livro é a leitura, a interpretação do livro do próprio director do filme. Podemos dizer que a adaptação é a versão de leitura dum só individuo. (Ver antes: “Cada um de nós cria suas próprias visualidades.”)[9]

2. Fernando Meirelles

O director do filme é o brasileiro Fernando Meirelles. Ele é um director muito conhecido como “um grande adaptador” de obras literárias “para o cinema”[10].

Seu primeiro filme de repercussão mundial foi Cidade de Deus (2002). Foi baseado no livro homónimo de Paulo Lins.[11]

Sua primeira produção internacional foi O Jardineiro Fiel de 2005 (em alemão: Der ewige Gärtner). Foi baseada no best-seller de John Le Carré.[12]

Blindness – Ensaio sobre a Cegueira é a sua obra mais recente.[13]

Em todos os três casos, “as adaptações foram elogiadas, tanto pelos críticos quanto pelos próprios autores”, quer dizer também por José Saramago.[14] Meirelles “não se considera um adaptador de livros, mas sim um leitor voraz”, que diz de si próprio:

“Quando gosto muito de um livro, fico com vontade de filmar.”[15]

No seguinte parágrafo vou elencar alguns estações do curriculum de Fernando Meirelles:

“Indicado ao Oscar por Cidade de Deus, Fernando Meirelles é formado em Arquitetura. Enquanto cursava a faculdade no Brasil, ele fez suas primeiras produções experimentais usando equipamento U-Matic e com uma equipe formada por amigos. Os filmes resultantes ganharam diversos prêmios nos festivais de filmes independentes do país.”[16]

“O mesmo grupo de amigos fundou a produtora Olhar Eletrônico, que arejou a televisão brasileira nos anos 1980. Por uma década, o grupo produziu programas para uma grande variedade de canais de televisão. Em 1989/1990, Meirelles criou e dirigiu a popular série para crianças Rá-Tim-Bum, para a TV Cultura. Os 190 episódios de Rá-Tim-Bum receberam a Medalha de Ouro no New York Film and TV Festival, além de vários outros prêmios.”[17]

[...]


[1] tecnologia-e-cinema.com

[2] tecnologia-e-cinema.com

[3] tecnologia-e-cinema.com

[4] Angélica Coutinho

[5] Angélica Coutinho

[6]Angélica Coutinho

[7] Jens Hildebrand, film: ratgeber für lehrer, Köln 2006, pag. 48

[8] Jens Hildebrand, film:ratgeber für lehrer, Köln 2006, pag. 53

[9] Angélica Coutinho

[10] tecnologia-e-cinema.com/ultimas/fernando-meirelles-discute-a-dificuldade-de-adaptar- obras-literarias/[...]

[11] tecnologia-e-cinema.com/ultimas/fernando-meirelles-discute-a-dificuldade-de-adaptar- obras-literarias/[...]

[12] tecnologia-e-cinema.com/ultimas/fernando-meirelles-discute-a-dificuldade-de-adaptar- obras-literarias/[...]

[13] tecnologia-e-cinema.com/ultimas/fernando-meirelles-discute-a-dificuldade-de-adaptar- obras-literarias/[...]

[14] tecnologia-e-cinema.com/ultimas/fernando-meirelles-discute-a-dificuldade-de-adaptar- obras-literarias/[...]

[15] tecnologia-e-cinema.com/ultimas/fernando-meirelles-discute-a-dificuldade-de-adaptar- obras-literarias/[...]

[16] www.cinemacomrapadura.com.br/top100/10-nomes-do-brasil.html

[17] www.cinemacomrapadura.com.br/top100/10-nomes-do-brasil.html

Details

Pages
16
Year
2011
ISBN (eBook)
9783640881048
ISBN (Book)
9783640881239
File size
709 KB
Language
Portugues
Catalog Number
v169713
Institution / College
University of Heidelberg – Seminar für Übersetzen und Dolmetschen
Grade
1,3
Tags
José Saramago Filmkritik Vergleich Buch Film Die Stadt der Blinden Fernando Meirelles Romanverfilmungen

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Title: "Ensaio sobre a Cegueira" - O livro e o filme